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De acordo com uma pesquisa realizada pelo Conselho Mundial da Água (WWC) apenas metade dos Millennials a nível global sabe que o acesso à água potável é um direito humano

Mais de três quartos dos Millennials inquiridos em todo o mundo estão convencidos de que os governos e as instituições precisam de liderar a luta para tornar o acesso global à água potável e ao saneamento uma realidade.

Mais de dois terços dos Millennials consideram que não está a ser feito o suficiente para alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, de modo a garantir a água e o saneamento para todos.

Esta semana, o Conselho Mundial da Água (WWC) organiza a 2ª Reunião de Consulta às Partes Interessadas em Brasília, que irá contar com cerca de 500 representantes ao mais alto nível, Chefes de Estado e especialistas nesta temática. Este encontro serve de preparação para o 8.º Fórum Mundial da Água, que irá reunir 30.000 participantes, com o objetivo de encontrar soluções de cooperação para os desafios relacionados com a água

A menos de um ano da realização do 8º Fórum Mundial da Água, que irá decorrer em Brasília, em março de 2018, o Conselho Mundial da Água (WWC) apela a todos os governos para que se concentrem nas questões hídricas e priorizem os recursos hídricos e a sua gestão. Esta iniciativa está de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU para tornar a água e o saneamento uma realidade até 2030. Ações e investimentos serão necessárias ao mais alto nível político, de modo a garantir a água potável e o saneamento a nível mundial.

Acesso à água potável: uma conquista importante para a comunidade internacional

De acordo com os mais recentes dados do Programa de Monitorização Conjunto da OMS/UNICEF de 2015, 91% da população mundial utiliza uma fonte de água potável, mais do que os 76% em 1990. O que representa um progresso significativo no acesso à água potável, já que 2,6 bilhões de pessoas, o equivalente a um terço da população global atual, passaram a ter acesso a uma fonte de água potável desde 1990.

No entanto, devido à má qualidade da água e da sua gestão, as fontes de água melhoradas não significam o acesso a água potável.

Além disso, embora o acesso a fontes melhoradas tenha aumentado em todas as regiões, as taxas de progresso variaram. A cobertura na Ásia aumentou significativamente, com mais de meio bilhão de pessoas a ter acesso apenas na China. Na América Latina e no Caribe, 95% da população agora tem acesso a água potável. No entanto, na África Subsaariana ainda há muito por fazer, já que cerca de um terço da população ainda não tem água potável.

No entanto ainda há muito por fazer na África subsaariana. Não obstante o facto da África subsaariana ter conseguido um aumento de 20 pontos percentuais na utilização de fontes de água potável melhoradas desde 1990, um terço da sua população ainda não tem um acesso adequado.

Existem, ainda, disparidades significativas em meios rurais e urbanos. Quatro em cada cinco pessoas residentes em áreas urbanas têm acesso a água potável canalizada nas suas casas, em comparação apenas com uma em cada três pessoas que vivem nas zonas rurais.

Porém, o progresso global alcançado no acesso ao saneamento ainda está longe, não tendo sido atingidos os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) para o saneamento. Em 2015, altura em que os ODMs atingiram o seu prazo limite, cerca de 32% (2,4 bilhões) de pessoas no mundo ainda não tinham acesso a instalações sanitárias.

Fontes de água melhoradas nem sempre são fontes de água seguras

Apesar das concretizações globais em fontes de água melhoradas, estima-se que pelo menos 25% das fontes de água melhoradas são, no entanto, pouco seguras devido a várias razões, incluindo, entre outras, a presença de contaminantes de origem fecal.

Na verdade, mais de um terço dos Millennials entrevistados testemunharam em primeira mão os efeitos negativos da falta de água potável. Apesar de quase metade dos Millennialsestar ciente de que houve um enorme progresso no acesso à água potável na Ásia nos recentes 5 anos, menos de um terço considera ter havido uma evolução em África.

O presidente do Conselho Mundial de Água, Benedito Braga, considera que: “Os líderes mundiais percebem que o saneamento é fundamental para a saúde pública, mas é necessário agir agora. A fim de tornar a água e o saneamento globalmente disponíveis até 2030, precisamos do empenho ao mais alto nível. Além disso, as fontes de água estão sendo otimizadas para garantir que estas sejam seguras.”

Investir na segurança da água oferece um alto retorno sobre o investimento

Benedito Braga afirma ainda que: “Por cada dólar investido em água e saneamento, há um retorno estimado de US$ 4,3 (400%), sob a forma de redução dos custos de saúde para os indivíduos e a sociedade em todo o mundo. O que não tem sequer em conta os benefícios para o desenvolvimento global, que permite aos países e às sociedades progredir econômica, cultural e politicamente. Por exemplo, por cada US$ 1 bilhão de dólares investidos em água e águas residuais, estima-se que serão criados 28.500 postos de trabalho.”

Por isso, é importante investir em infraestruturas que melhorem a segurança da água e a resiliência da gestão dos recursos para as populações, as economias e o meio ambiente.  Aliás, as empresas também estão cada vez mais consciencializadas da importância do investimento em água potável e saneamento, e 46% dos CEOs concordam que a escassez de recursos e as mudanças climáticas irão transformar os seus negócios nos próximos cinco anos.

Csaba Kőrösi, Diretor de Sustentabilidade Ambiental do Gabinete do Presidente da República da Hungria e assistente do Painel de Alto Nível sobre a Água (HLPW), afirma que: “Os investimentos globais na água devem ser triplicados, o equivalente a US $ 600 bilhões por ano, para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU até 2030. Um primeiro passo promissor foi o que aconteceu durante a reunião com o Painel de Alto Nível sobre a Água, em Budapeste, no ano passado, em que o Banco Mundial e oito Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, bem como o Fundo Verde do Clima, se comprometeram a trabalhar coletivamente para duplicar o montante investido em infraestruturas hídricas nos próximos 5 anos. No entanto, as finanças públicas e concessionárias não serão suficientes para atingir o nível de investimento necessário para a segurança da água no mundo. Os fundos privados devem ter também um papel importante.”

Kőrösi reforça que: “O tempo é escasso. Temos 15 a 20 anos antes de enfrentar um desafio significativamente maior, que provém das mudanças climáticas e das crises de água regionais, que contribuem para um problema global “.

Água para todos: compartilhar responsabilidades e ações

O Conselho Mundial da Água (WWC), fundado em 1996, reúne mais de 300 organizações mundiais como membros, com o objetivo principal de fomentar a ação para as questões relacionadas com a água, a todos os níveis, a fim de melhorar a segurança da água em todo o mundo. “O Conselho Mundial da Água (WWC) convida todas as partes interessadas a partilhar as ações e responsabilidades para um esforço comum“, afirma o Presidente Braga.

A organização é reconhecida como um facilitador importante nos debates sobre o financiamento e uma força motriz para as mudanças políticas na busca pela segurança da água. O Conselho Mundial da Água (WWC) é pioneiro em diversos  programas inovadores e interessantes, trabalhando para promover medidas de adaptação para o uso de água face às alterações climáticas iminentes, aumentar o investimento político e criar cidades consciencializadas para a importância da água.

Além disso, o Conselho Mundial da Água (WWC) considera igualmente importante manter o público informado, incluindo os Millennials, sobre os progressos realizados na melhoria da segurança da água. Os mídia tradicionais (64%), bem como a Internet e as redes sociais (45%) são a principal fonte de informação para os Millennials sobre questões, como as alterações climáticas e questões hídricas, muito à frente das universidades (21%), dos familiares e amigos (15%), do trabalho (10%) e do governo (9%).

Fórum Mundial da Água: catalisador da mudança para um mundo mais seguro

Esta semana, continuando com a sua missão de melhorar a segurança hídrica para todos, o Conselho Mundial da Água está a organizar a 2ª Reunião de Consulta às Partes Interessadas em Brasília, que reúne cerca de 500 representantes ao mais alto nível, Chefes de Estado e especialistas nesta temática. Este encontro serve de preparação para o 8.º Fórum Mundial da Água, no qual são esperados 30.000 participantes, de 18 a 23 de março de 2018, no Brasil, sob o tema “Compartilhando Água”. O evento é composto por cinco processos, nomeadamente o Processo Temático, Processo Político, Processo Regional, Fórum Cidadão e Grupo Focal em Sustentabilidade.

Benedito Braga comenta: “Como o criador e organizador do Fórum Mundial da Água, o Conselho Mundial da Água (WWC) espera aproveitar o sucesso alcançado, durante o 7º Fórum Mundial da Água na Coreia em 2015, que marcou um passo em frente na cooperação internacional na área da água, para implementar um guia de trabalho e garantir acordos políticos importantes“.

Braga conclui: “Durante o 8º Fórum Mundial da Água, o maior evento mundial desta temática, estamos empenhados em envolver os responsáveis políticos e decisores num diálogo conjunto para estabelecer compromissos, de modo a melhorar os recursos hídricos e o desenvolvimento dos serviços”.

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