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Fome em Estados africanos ameaça milhões de crianças

Cerca de 1,4 milhões de crianças que sofrem de desnutrição severa podem morrer de fome este ano na Nigéria, Somália, Sudão do Sul e Iémen, denunciou na segunda-feira o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

Embaixadores do Conselho de Segurança da ONU prevêem viajar no próximo mês para o norte da Nigéria, Camarões, Chade e Níger para chamar a atenção internacional para a crise humanitária provocada pelo conflito com o Boko Haram.

De acordo com o Fews Net, o sistema de detecção antecipada da fome, desde o ano passado, em áreas remotas de Borno, Nigéria, são afectadas pela fome e a situação vai continuar enquanto as agências de ajuda humanitária forem incapazes de chegar aos que precisam.

A seca na Somália deixou 185.000 crianças em situação à beira da fome, e nos próximos meses espera-se que este número aumente para 270.000 crianças, estima o Unicef.

No Sudão do Sul, mais de 270.000 crianças estão desnutridas e a fome foi declarada em partes do estado de Unidade, no norte do país, onde vivem 20.000 crianças.

O director do Unicef, Anthony Lake, pediu para a comunidade internacional acelerar as acções destinadas a salvar vidas. “Ainda podemos salvar muitas vidas”, disse.

O alerta é feito no mesmo dia em que o alto comissário da ONU para Refugiados e a directora do Programa Mundial de Alimentação (PMA) afirmaram num comunicado conjunto estarem muito preocupados com a falta de comida que afecta 2 milhões de refugiados em 10 países africanos. Filippo Grandi e Ertharin Cousin alertaram para o total de refugiados que África tem actualmente, quase 5 milhões, praticamente o dobro de 2011.

Neste período, refere  a nota , as doações financeiras aumentaram, mas não vão ao encontro das necessidades humanitárias, e falta verba para ajudar os refugiados em África, razão pela qual as porções de comida foram reduzidas em alguns casos. Muitas pessoas estão a fugir da Somália e do Sudão do Sul e mais de 75 por cento das crianças somalis que chegaram refugiadas à Etiópia este ano estavam desnutridas, é referido no comunicado.

Filippo Grandi e Ertharin Cousin acrescentam que as porções de comida para os refugiados foram cortadas em até 50 por cento nos Camarões, Chade, Quénia, Mauritânia, Sudão do Sul e Uganda. No Burquina Faso, Djibuti, Burundi e Etiópia houve cortes em refeições saudáveis.

Em campos de refugiados na Etiópia, no Chade e no Sudão, a desnutrição aguda é um problema crítico e a anemia atinge mais de 40 por cento dos refugiados, o que indica “uma crise pública de saúde”.

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