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Nações Unidas criticam posição da coligação árabe

As Nações Unidas colocaram a coligação liderada pela Arábia Saudita que combate no Iémen na lista de organismos que prejudicam os interesses humanitários pelas mortes e ferimentos causados a 683 crianças.

A ONU fez uma leitura dos vários conflitos e atribuiu nota negativa a várias grupos que combatem no Iémen, Iraque e Síria, como forma de desencorajar os apoios e simpatias que gozam junto de países ou organizações internacionais.

O relatório das Nações Unidas publicado há quatro dias, mostra um quadro de grande preocupação com os ataques lançados pela coligação internacional liderada pela Arábia Saudita e os seus grupos no terreno.
O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, decidiu incluir esta coligação na sua lista negativa anual, enquanto toma algumas medidas para aumentar a segurança das crianças nos cenários de guerra, como o Iémen, Iraque e Síria. A situação no Sudão do Sul também foi descrita como preocupante, assim como a perseguição ao grupo rohingya em Mianmar. O Governo da Arábia Saudita rejeitou a sua inclusão na lista negativa da ONU pela morte de crianças, alegando “que tal se baseou em informações erradas e enganosas e os números contidos no relatório internacional não correspondem à verdade”.
“Expressamos fortes reservas quanto a essas informações”, declarou o embaixador saudita na ONU, Abdallah al-Moualimi, em conferência de imprensa. “Prestamos a maior atenção possível para evitar ferir civis nessa guerra”, ressaltou.
A guerra no Iémen opõe a forças pró governamentais, apoiadas pela Arábia Saudita e agrupadas no sul, a uma aliança rebelde de huthis junto do ex-Presidente Ali Abdalah Saleh que controla o Norte e a capital desde Setembro de 2014.
Desde Março de 2015, quando começou a campanha militar de vários países liderados pela Arábia Saudita contra os rebeldes huthis apoiados pelo Irão, o conflito deixou 8.500 mortos e 49.000 feridos e provocou uma grave crise humanitária, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Esse saldo inclui combatentes e civis.

Conflito na Síria
O grupo de trabalho da ONU recolheu dados sobre a situação na Síria e afirmou que no terreno registou-se uma evolução quanto ao ataque contra civis, mas fazem um apelo para o fim do conflito e a preservação dos civis, entre os quais estão mulheres e crianças.
As forças do Governo da Síria rodearam a cidade de Al Majadin, reduto do “Estado Islâmico” (“EI”) situado na província de Deir ez-Zor, no Nordeste do país, informou ontem a agência de notícias oficial Sana. As tropas leais ao Presidente sírio, Bachar al Assad, chegaram na sexta-feira aos arredores da cidade e desde então combatem na periferia Oeste, especialmente em torno do bairro de Rahba, uma fortificação medieval que se eleva num monte próximo.
Al Majadin é a capital de facto da província de Al Jair, uma das divisões do território imposto pelo “EI” nas áreas que controla e considerada de importância estratégica, pois se o Exército a tomar, isolaria os povoados no vale do Eufrates até a cidade de Deir ez-Zor.
Nessa cidade, as tropas sírias também conseguiram avanços em várias frentes, segundo a Sana, e também retomaram o controlo do povoado de Marat al Fuka, situado a Leste do rio Eufrates, onde tiveram lugar várias batalhas contra o grupo Estado Islâmico.

Ameaças
As Nações Unidas também mostraram-se preocupadas com a subida de tom nas acusações entre o Irão e os Estados Unidos da América (EUA), que nos últimos dias chegou a ver ameaças fortes que podem levar a uma situação incontrolável. O chefe do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica prometeu equiparar o Exército dos EUA ao “Estado Islâmico”, caso Washington insista em pôr o país na lista de grupos terroristas.
Mohammad Ali Jafari, citado pela agência de notícias iraniana Tasnim, afirmou também que os EUA estiveram errados quanto à pressão que exerceram sobre o Irão durante as negociações de questões regionais.
O programa de mísseis iraniano causou descontentamento e preocupações por parte de outros Estados, em particular, dos EUA. Apesar das tentativas de Washington de incluir termos de acusação quanto aos mísseis balísticos no Plano de Acção Conjunto Global (JCPOA, sigla em inglês) a proposta não foi apoiada por outros signatários.
No final de Julho de 2017, os EUA impuseram novas sanções contra Teerão, tendo como alvo o seu programa de mísseis balísticos. As medidas provocaram um mal-estar entre Washington e Teerão, que pôs em perigo o cumprimento do acordo de acompanhamento ao programa nuclear iraniano. O programa, segundo o Irão, tem fins pacíficos.
O Irão respondeu aos EUA, concedendo mais dinheiro ao seu programa. O Presidente norte-americano, Donald Trump, acusou Teerão de apoiar financeiramente à Coreia do Norte.
“Estou seguro de que o Irão financia a Coreia do Norte, estou seguro que eles têm comércio com a Coreia do Norte, estou seguro que eles têm negócios com a Coreia do Norte, o que é completamente inaceitável”, afirmou o Chefe de Estado norte-americano em entrevista ao canal de televisão TBN.
Donald Trump prometeu anunciar a sua decisão quanto à postura dos EUA no âmbito do Plano de Acção Conjunto Global no futuro próximo. Acrescentou que considera o Irão um “actor ruim” que merece ser tratado do jeito correspondente.
Anteriormente, várias fontes da comunicação social disseram que Donald Trump tenciona abandonar a JCPOA e anunciar que o acordo contraria os interesses nacionais dos Estados Unidos.

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