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O Portugal multicultural

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É sempre bom para quem mora neste cantinho tão longe de casa, ouvir uma voz tão familiar como a de Maria João, acompanhada ao piano pelo grande nome do jazz português, Mário Laginha.

 

Depois de uma passagem por Hong Kong para participar no Festival Internacional de Jazz, deram um salto até Macau para receber de braços abertos uma audiência ansiosa por ouvi-los.
O concerto decorreu no auditório da Universidade de Macau e, apesar de não estar repleto de gente, dado que nos encontrávamos em semana de feriados, foi quente, caloroso e vibrante. 
“Nei Hou, Olá, Hello. Bem, não sei como me expressar aqui”, foi assim que Maria João começou por dirigir-se ao público. Macau, de facto, não é fácil – e definir qual a língua melhor para comunicar é uma tarefa difícil. Afinal, até eu que já cá estou há quatro anos e meio, continuo a deparar-me com esse problema. Mas vamos ao concerto.
Maria João, aquela mulher que utiliza todas as potencialidades da sua voz, encantou não só na prestação, como já era de esperar, mas também na empatia que criou com o público. E no carinho. Nós, que tão longe estamos, somos especialmente sensíveis a esse carinho.
O último registo junto de Maria João e Mário Laginha remonta a 2008, altura em que gravaram “Chocolate”. E foram, essencialmente, músicas desse álbum que se ouviram a 3 de Outubro, em Macau. 
Sons de Portugal, Brasil e Moçambique que se juntam ao cancioneiro americano, criando uma miscelânea de sons, que tanto sentido faz nesta terra especial. E foi o Portugal multicultural que Maria João e Mário Laginha trouxeram até aqui. Cheio de cores e sons, que vão mais além do que apenas o fado. 
Esta foi a segunda vez em que Maria João e Mário Laginha actuaram juntos em Macau. E, esperemos, para nosso bem, que mais vezes se repitam.

Luciana Leitão


 

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