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Ecos de Macau: A proximidade

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Quem cá mora há algum tempo, já se habituou a cruzar-se diariamente com caras conhecidas. Mas quando essas caras deixam de ser o Zé da tasca, o Manuel do restaurante ou o Lei que costuma comprar jornais sempre no mesmo sítio e passam a ser nomes nacionais ou internacionais das artes e da música, a conversa é totalmente diferente.

 

Macau tem mais de 500 mil habitantes espalhados por 28,6 km2, a maioria dos quais são chineses. É, claramente, uma cidade pequena.  
Quem cá mora, cruza-se frequentemente com as mesmas caras pela rua, apercebendo-se diariamente da dimensão deste território. E, por vezes, esses encontros diários com as mesmas caras são motivo de queixa por parte dos residentes mais ciosos do seu espaço. 
Mas, quando chega a altura do Festival Internacional de Música, do Festival Internacional de Artes ou, até, do Festival da Lusofonia, essa aparente claustrofobia ganha outra dimensão. 
Sou portuguesa e já vi várias vezes ao vivo e na televisão músicos como o António Zambujo ou o Olavo Bilac, mas nunca tive um contacto tão próximo que implicasse estarmos na mesma festa de aniversário e dançar na mesma pista de dança.
E quem fala nestes dois músicos, fala também nos Patubatê, do Brasil, ou nos  Portas do Sol, de Cabo Verde, no grupo de dança israelita Mayumana, nos portugueses Intróito e a lista podia continuar...
De repente, damos por nós a tocar guitarra com músicos conceituados, a cantar com quem realmente percebe da coisa ou, pura e simplesmente, a beber uma cerveja com pessoas, aparentemente, inacessíveis. E um serão normal ganha um outro colorido.
Por isso, se a pequena dimensão de Macau pode, por vezes, aos mais claustrofóbicos, causar alguma asfixia, nestes casos, acaba por ser mágica. Afinal, esta malfadada (ou bemfadada?) proximidade cria laços que, de outra forma, nunca se criariam. E não é bonito? Assim é Macau!

Luciana Leitão

 

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