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África começa a existir de “maneira mais real”, Mia Couto

Para o escritor moçambicano o continente africano já começa a existir de uma “maneira mais real” no Brasil. Mia Couto falava este fim-de-semana a propósito da sua passagem pelo Rio de Janeiro, onde participou no Back2Black Festival, um certame dedicado à cultura negra.

“África era vista de uma maneira folclorizada e estereotipada. Era uma maneira de não ser vista”, disse Mia Couto após participar de uma mesa redonda sobre literatura e cinema com o angolano José Eduardo Agualusa, os cineastas brasileiro, Cacá Diegues, e o moçambicano, Ruy Guerra.
Aquele que é considerado um dos grandes escritores contemporâneos africanos de literatura de expressão portuguesa considera que o Brasil «proclamava intensamente» a sua relação histórica de matriz com a África, contudo, “a África que chegava o Brasil não correspondia aquilo que é hoje”.
Um continente moderno, “com seus dinamismos culturais e históricos, e, sobretudo, com a sua diversidade”, argumentou o autor dizendo ainda que “é uma África que tem que se dizer no plural e não no singular”.

«Estou condenado a ser um escritor de língua portuguesa»
Ao referir-se à dificuldade que encontra na tradução de suas obras, Mia Couto disse estar “condenado a ser um escritor de língua portuguesa” considerando que o seu trabalho é de “transcrição linguística e de recriação vocabular passando pela poesia”.
Não é apenas uma “questão técnica, é também como se traduzem esses universos culturais”, ressaltou o moçambicano já distinguido pelo conjunto da sua obra com o Prémio Vergílio Ferreira 1999 e também recebeu o Prémio União Latina de Literaturas Românicas em 2007.

Sobre o Back2Black Festival
Sob a alçada do escritor angolano Agualusa, o Back2Black Festival decorreu este fim-de-semana no Rio de Janeiro.
Durante três dias, o festival serviu de um ponto de encontro para a política, a cultura, a consciência social, a música, cinema e literatura.
Dedicado à cultura negra, o evento contou com shows, exposições e debates sobre a matriz negra na cultura brasileira.

Fonte: Diário Digital/Lusa

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