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“Sonhar não é proibido”

A selecção angolana inicia a campanha no Mundial a 28 de Agosto.    Crédito: FIBA A selecção angolana inicia a campanha no Mundial a 28 de Agosto. Crédito: FIBA

Falta pouco mais de um mês para o início do Campeonato do Mundo de basquetebol, que se realiza na Turquia de 28 de Agosto a 12 de Setembro. Luís Magalhães, que recentemente foi reconduzido no cargo de seleccionador angolano – orienta também o 1º de Agosto –, diz à África Today que a equipa vai dar o máximo para superar a melhor classificação de sempre, o 9º lugar alcançado há quatro anos, no Japão.

Depois de ter ajudado a selecção angolana a sagrar-se campeã africana pela décima vez – e sexta consecutiva, ao vencer o Campeonato Africano das Nações (Afrobasket), Luís Magalhães quer agora deixar uma boa imagem do basquetebol africano no Mundial da Turquia. “Nós acreditamos sempre e queremos sempre fazer melhor. Sonhar não é proibido, pelo contrário, é algo que pode servir de estímulo e motivação”, começa por dizer à África Today.
Sobre o facto de ter sido escolhido para orientar a selecção no Mundial, o técnico é claro. “De certa forma já estava à espera, até porque já estava apalavrado desde que terminou o Afrobasket no ano passado, na Líbia”. Além de comandar Angola na Turquia, o técnico vai ainda orientar a equipa no Afrobasket de 2011, já que o contrato de renovação que assinou tem a duração de um ano e dois meses, expirando em Agosto de 2011
Por conhecer bem os jogadores e por estes também estarem a par dos seus métodos de trabalho – além da experiência que tem na selecção, alguns dos atletas pré-convocados (ver caixa) são orientados por si no 1º de Agosto –, Luís Magalhães considera que Angola tem boas possibilidades de ter uma boa prestação. “Claro que é uma vantagem. Esse conhecimento mútuo que existe é um valor acrescentado. Neste momento o importante é prepararmos bem a prova para chegarmos à Turquia em condições. O grupo é forte, mas o basquetebol é imprevisível, e depois quando chegar a hora é que se vê quem é o mais forte”, conta.
Um dos segredos do sucesso poderá ser a entrega dos atletas. Não querendo fazer futurologia, Luís Magalhães promete “motivar os jogadores ao máximo” para que se possam superar na prova. “Temos de estar muito bem preparados, porque vai ser bastante complicado”, adianta. Nesse sentido, os trabalhos de preparação começam bem cedo, dia 5 de Julho. Numa primeira fase irão decorrer nas províncias de Cabinda e Benguela, sendo que depois está prevista uma digressão aos EUA e ao Brasil, com alguns jogos pelo meio. “Vamos ter entre oito a dez encontros de preparação, sendo que depois do estágio na América regressamos à Europa, para a Itália ou para a França. Só depois é que viajamos para a Turquia”, explica Luís Magalhães.
Entre os pré-convocados da selecção (ver caixa), sublinhe-se Valdelício Joaquim, Miguel Kiala, Divaldo Mbunga e Yanick Moreira, que foram chamados pela primeira vez. Destaque, também, para a chamada do experiente Miguel Lutonda, de 39 anos, que falhou Afrobasket no ano passado. Ausente, por lesão, ficou Armando Costa.

“Kikas” Gomes optimista
Joaquim Gomes, mais conhecido por “Kikas”, é um dos jogadores mais influentes da equipa. Em entrevista à África Today, o poste do 1º de Agosto reconhece que o grupo de Angola é complicado, mas recusa baixar os braços: “Sabemos que vamos ter dificuldades, porque o grupo é muito forte e equilibrado, mas nada é impossível. Temos de acreditar em nós e trabalhar ao máximo.”
“Kikas” admite que as boas prestações de Angola nos últimos anos elevam a fasquia, por isso acredita que Angola pode fazer história e melhorar o 9º lugar alcançado há quatro anos. “Nada é impossível, e Angola já demonstrou que tem qualidade. Já somos conhecidos em todo o lado e temos de jogar de igual para igual com qualquer adversário. O que posso prometer aos angolanos é muito trabalho. Mais uma vez vamos dar o máximo para dignificar o país e o continente africano”, adianta.
Quando questionado sobre a importância de entrar a ganhar na prova, o poste é peremptório: “É sem dúvida importante, mas a Sérvia é uma equipa bastante complicada e experiente, apesar dos problemas que tem tido ao longo dos anos. Já a Jordânia é uma selecção que tenho de admitir que desconheço. Sei apenas que é orientada pelo Mário Palma.”
Certo é que Angola não vai à Turquia para cumprir calendário. “Kikas” não se incomoda com o facto de a selecção poder ser vista como o “outsider” do Grupo A, mas adianta que os jogadores vão estar “concentrados e preparados para a prova”. “Vamos lá para cumprir e para competir, não para brincar. Para que isso aconteça temos de ter uma boa preparação, para que nos possamos bater de igual para igual com todos os adversários”, vinca.
E será que o poste encara o Mundial como mais uma hipótese de mostrar as suas qualidades? “Claro que individualmente também é muito bom para nós, até porque o basquetebol africano ainda é muito desprezado. É uma forma de mostrarmos uma imagem diferente e de provarmos que temos valor”, conclui.

Lista de jogadores pré-convocados para o Mundial
- 1º de Agosto: Miguel Lutonda, Carlos Almeida, Felizardo Ambrósio, Vladimir Ricardino, Joaquim Gomes “Kikas”, Felipe Abraão e Yanick Moreira
-  Recreativo de Libolo: Olímpio Cipriano, Domingos Bonifácio, Leonel Paulo e Carlos Morais
- Petro de Luanda; Divaldo Mbunga, Eduardo Mingas, Roberto Fortes, Miguel Kiala
-  Promade Misto de Cabinda: Paulo Barros
- ASA: Simão Santos
- Universidades dos EUA: Valdelício Joaquim

Angola no Grupo A
A selecção angolana inicia a campanha no Mundial logo no primeiro dia de competição. A 28 de Agosto os africanos defrontam a Sérvia. Segue-se, por esta ordem, Jordânia, Argentina, Alemanha e Austrália. Se for uma das primeiras quatro classificadas do Grupo A, Angola qualifica-se para os oitavos-de-final. Nessa fase pode vir a defrontar a poderosa equipa dos EUA, dependendo da pontuação que obtenham nos grupos.

Estados Unidos lideram medalheiro
A selecção norte-americana, eterna candidata à vitória nos Mundiais de basquetebol, é o país com mais medalhas conquistadas. Entre 1950 e 2006, os EUA já arrecadaram onze medalhas: três de ouro, três de prata e cinco de bronze. Confira a lista em Baixo:
- EUA: 3 de ouro, 3 de prata; 5 de bronze (11)
- União Soviética: 3; 3; 2 (8)
- Jugoslávia: 3; 3; 2 (8)
- Brasil: 2; 2; 2 (6)
- Rússia; 0; 2; 0 (2)
- Argentina: 1; 1; 0 (2)
- Jugoslávia (Sérvia e Montenegro): 2; 0; 0 (2)
- Chile: 0; 0; 2 (2)
- Espanha: 1; 0; 0 (1)
- Grécia: 0; 1; 0 (1)
- Croácia: 0; 0; 1 (1)
- Filipinas: 0; 0; 1 (1)
- Alemanha: 0; 0; 1 (1)

Curiosidades
- O brasileiro Oscar Schmidt é o melhor marcador de sempre em Mundiais, com 916 pontos em 35 jogos. Em segundo lugar aparece o australiano Andrew Gaze, com 599 pontos em 29 jogos. O pódio fica completo com o jugoslavo Drazen Dalipagic (568 pontos em 35 encontros).
- A partida com mais pontos aconteceu em 1978, entre o Brasil e a China: 154-97.
-O jogo com menos pontos marcados data de 1950 e colocou frente a frente o Egipto e o Brasil: 19-38.
- O jogo com maior diferença de pontos aconteceu em 1974, entre a União Soviética e a República Centro-Africana: 140-49 (92 pontos de diferença).
- O jogador com mais pontos marcados num encontro foi o coreano Jae Hur: 62 no Mundial de 1990, no Egipto.
- O jogador mais alto de sempre a participar num Mundial foi o chinês Yao Ming, que mede 2,26 metros.
- O jogador mais baixo de sempre a participar num Mundial foi o norte-americano Tyrone Bounges, que mede 1,59 metros.

Frederico Gonçalves

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