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Banco BFA, a banca no seu esplendor parte II

Emídio Pinheiro, presidente da comissão executiva do BFA Emídio Pinheiro, presidente da comissão executiva do BFA

O Banco Fomento de Angola (BFA) assumiu o estatuto de entidade autónoma de direito angolano em 2002, na sequência da transformação da sucursal do Banco BPI. Os anos passam e o sucesso surge de forma quase natural.

A prova está à vista: o  BFA foi distinguido no final do ano passado com o Prémio Melhor Banco em Angola, pela Revista EMEA Finance, que analisa e classifica o desempenho dos principais bancos de cada país. Neste momento o BFA conta com uma rede de distribuição de 121 balcões, presente em todas as províncias angolanas. E o que será que tem a dizer Emídio Pinheiro, presidente da comissão executiva do BFA, sobre a possibilidade de investir em Angola?

Em traços gerais, porque podemos concluir que Angola é um país que atrai os investidores?
A economia angolana após ter terminado em 2002 a situação de guerra civil pôs em evidência as enormes potencialidades para se desenvolverem actividades económicas organizadas e sustentáveis. O plano de reconstrução do país desencadeou uma enorme vaga de investimento, nomeadamente ao nível das infraestruturas, que gerou uma forte dinâmica económica e vastas oportunidades que foram sendo aproveitadas quer por empresas angolanas quer por empresas estrangeiras que aproveitaram para se expandir e fazer crescer os seus negócios. Por outro lado, a estabilidade política e social que se vive também contribuiu para gerar a necessária confiança de quem investe.

Pode afirmar-se que Angola tem conseguido estabilizar ao longo dos últimos a sua política cambial? Essa será uma forma de promover a queda da inflação?
Na componente cambial e monetária, no essencial, a politica económica e financeira desenvolvida até finais de 2008 teve como objectivos muito visíveis a redução da inflação e a promoção do kwanza, quer como moeda de transacções internas quer como reserva de valor. Esses objectivos foram em larga escala conseguidos. No final de 2008, com a queda abrupta e rápida do preço do petróleo, as receitas em divisas no país reduziram-se de forma substancial, colocando problemas sérios na gestão orçamental e cambial. Em resultado, uma parte dos ganhos que tinham sido obtidos na estabilidade cambial e dos preços acabaram por se perder, tendo o Governo adoptado medidas muito restritivas na gestão da sua tesouraria e o BNA imposto a aplicação rigorosa de regras caídas em desuso no que respeita aos pagamentos ao exterior. Sabe-se que a desvalorização tem como consequência inevitável a inflação, que tem vindo a subir, tendência compensada em parte por um abrandamento da procura interna em resultado das medidas de carácter restritivo adoptadas na gestão macro-económica do país.

Em que medida a estabilidade macroeconómica é importante para o país? Será para contribuir para o desenvolvimento da nação, nomeadamente das pessoas mais pobres?
A estabilidade é um bem essencial ao desenvolvimento, já que reduz a incerteza e permite uma melhor organização das instituições e maior eficácia no processo de tomada de decisões. Neste sentido, o combate à pobreza, que só pode ser concretizado de maneira sustentável com crescimento e desenvolvimento económico e social, terá que ter como alicerce essencial a estabilidade.

Angola é um país com facilidade de exportação de capital? Porquê?
Em Angola vigoram várias regras que limitam a liberdade de movimentos de capitais. Alguns exemplos ao nível empresarial: um importador para liquidar as suas responsabilidades perante os fornecedores estrangeiros tem de fazer prova de que a mercadoria entrou efectivamente no país; o pagamento aos prestadores de serviços não residentes requer um licenciamento por parte do BNA; para o pagamento de dividendos, juros ou repatriamento de capitais também é exigida uma autorização por parte do BNA. Esta regulamentação e limitações tem como fundamento evitar fugas de capitais e permitir às autoridades uma intervenção na utilização e destino das divisas disponíveis. Em tempos de crise, como a que ocorreu a partir do final de 2008, as autoridades socorreram-se destes instrumentos para actuar sobre o mercado cambial.

Que conselhos dá um jovem empresário que está a dar os primeiros passos no mundo dos negócios?
Não sou de dar conselhos. Mas, analisando casos de sucesso de jovens empreendedores, parece-me que a determinação, dedicação e crença no negócio que vai desenvolver e o evitar dar passos maiores do que a perna permite são condições para que os projectos de transformem em realidade.

África Today

 

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