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“Vamos ouvir falar muito da BYD”

Francisco Palma, director-geral da Socitrade em Angola. Francisco Palma, director-geral da Socitrade em Angola.

Esta é, sem dúvida, uma empresa virada para o futuro. A BYD está no mercado angolano através da Socitrade. E esta é uma união que promete revolucionar e dar frutos. Em entrevista à África Today, Francisco Palma, director-geral da Socitrade em Angola, revela que o público-alvo da empresa é a classe média, definindo a BYD como “uma marca que procura oferecer produtos de mobilidade cada vez melhores”.

O responsável – formado em Engenharia Mecânica pelo Instituto Superior Técnico, com pós graduação em Engenharia Industrial pelo INETI, em Lisboa, Portugal – não tem dúvidas ao afirmar que os preços praticados pela sua empresa “são muito competitivos face àquilo que é cobrado no mercado”. Sobre o facto de os modelos que utilizam energias alternativas poderem ser trazidos para Angola, Francisco Palma mostra-se mais renitente, pelo menos para já: “Assim que for possível iremos fazê-lo. Tal como é natural que existam depois outro tipo de opções, como o gás natural e outras opções energéticas”.

Como surgiu a ideia de trazer a marca de automóveis BYD para um sector já tão competitivo em Angola?
Apesar de ser competitivo, há sempre lugar para produtos e para uma oferta de serviços que se diferencie através da qualidade. Surge de uma oportunidade que não se podia perder. É uma marca que é absolutamente ambiciosa no seu desenvolvimento. Esta empresa tem o seu local próprio dentro do espectro do sector automóvel em Angola.

Desde que a BYD está em Angola, qual foi o investimento realizado e quais foram os produtos em que apostou?
A BYD iniciou a sua actividade, em termos exploratórios, em Outubro do ano passado. Iniciámos a actividade já este ano, actividade essa que se está a desenvolver normalmente e num mercado que não é nada fácil. Sabemos os constrangimentos que temos num momento em que a economia não está como nós gostaríamos.

Mas a BYD terá vantagens competitivas?
Temos. A qualidade que é adequada e o valor a que os produtos são comercializados que é muitíssimo competitivo. A relação custo/valor é uma das mais agressivas no mercado. E isso tem sido demonstrado aos clientes, que já descobriram que temos essa vantagem.

Iniciaram em Outubro. Na prática têm cerca de quatro meses de operação. Durante este tempo, quantas viaturas já venderam?
Não vamos apresentar números. Mas temos uma média de venda de cerca de 40 veículos por mês, o que é bastante razoável, visto que estamos ainda numa fase de implementação da estrutura.

E em termos de investimento?
Estamos a implementar uma nova sede, que será extremamente importante, porque permitirá o desenvolvimento de serviços de melhor qualidade prestados aos clientes. Temos estado a investir a nível de pós-venda no que diz respeito a equipamentos. Não vou colocar números no investimento que estamos a fazer, mas é significativo. É um investimento que vai ser feito ao longo de, pelo menos, ano, ano e meio.

Quais são os objectivos da empresa a curto, médio e longo prazo?
A curto prazo os objectivos são estruturar a organização, criar notoriedade à marca e desenvolver uma rede que permita cobrir Angola, que permita oferecer os nossos serviços e produtos no país. Estes são os objectivos dentro do próximo ano. A partir daí procuraremos alargar a oferta. A BYD vai introduzir novos produtos no final deste ano, e no próximo ano tem um planeamento extremamente agressivo ao nível de introdução de novos produtos. Vamos aproveitar essa mesma disponibilidade de novos produtos para melhorar a oferta.

Pode dizer-nos quais serão esses produtos?
Ainda é um pouco cedo. São produtos que têm tradicionalmente aceitação de mercado.

Estaremos a falar de viaturas todo-o-terreno?
Possivelmente também.

Qual é exactamente o vosso público-alvo?
Com a actual gama de produtos, focamos os nossos esforços essencialmente para com a classe média, que entra na primeira motorização, no primeiro veículo novo ou da família que necessita de uma proposta de um produto compacto/familiar. Com a diversificação de produtos, iremos alterar ou alargar esta proposta, esta área de actuação.

Se tivesse de definir a BYD em poucas palavras, o que diria?
Sem utilizar os chavões de marketing, diria que é uma marca que procura oferecer produtos de mobilidade cada vez melhores, cada vez mais adequados às necessidades, neste caso das sociedades em desenvolvimento. Não é uma proposta idêntica às europeias.

BYD significa “Build Your Dreams”. É uma sigla bastante sugestiva. É isso que se pretende?
Em certa medida é. No abstracto é tão simples como isto: temos uma sociedade que se encontra no início de um desenvolvimento que tem sido forte, que tem tido taxas significativas de crescimento e com o surgimento de novas necessidades ao nível de mobilidade. As estradas começam a permitir que as pessoas se desloquem e começa a surgir uma classe média com novas necessidades. A nossa oferta adapta-se perfeitamente a isso. São produtos com qualidade e design bons, e com um preço e uma oferta de serviços adicional que vai permitir a esta classe média ter acesso a outras possibilidades e novas ofertas. E a usufruir dessa mobilidade.

Colocando a hipótese de um jovem pretender adquirir uma viatura BYD, quais as opções disponibilizadas pela Socitrade?
Procuramos, dentro das condicionantes de mercado, que as pessoas que nos contactam tenham acesso não só ao produto, mas também a um conjunto de serviços e apoios que permitem aceder mais facilmente a esse produto. Estamos a falar em termos de financiamentos. Já temos protocolos com uma entidade bancária. Estamos a tratar de outros protocolos, no sentido de facilitar o acesso ao crédito. O nosso cliente quando leva o automóvel pode já levá-lo com seguro. Temos garantido o fornecimento de peças, o que optimiza a assistência técnica. Oferecemos uma das melhores garantias de mercado, que é de dois anos ou de 60 mil quilómetros.

Um dos aspectos na assistência técnica é que se torna muito dispendiosa num concessionário. Também na assistência técnica a Socitrade terá custos mais competitivos?
A nossa estratégia na assistência técnica é de oferecer uma assistência com um posicionamento e processamento de preços provavelmente inferior àquilo que a média de mercado cobra. Os preços das nossas peças são muito competitivos face àquilo que é cobrado no mercado. Como iniciámos actividade há pouco tempo não posso ainda apontar valores exactos. A primeira revisão pós-venda é gratuita, exceptuando óleos que tenham de ser colocados.

Qual a estratégia da Socitrade?
A Socitrade não se esgota com a oferta BYD. A Socitrade tem uma estratégia muito clara de vir a desenvolver uma oferta ao mercado ligada essencialmente ao sector da mobilidade. Sendo mais explícito, temos já uma oferta ao nível de veículos pesados (marca Sinotruk) em que cobrimos quase toda a oferta de veículos acima de dez toneladas. Estamos a procurar garantir novas representações que cubram outras segmentações de mercado, onde não estamos presentes. Estamos numa fase em que é preciso ter muita atenção aos investimentos, mas estrategicamente queremos colocar-nos como uma das empresas que podem vir a estar na frente deste mercado automóvel no futuro. O nosso esforço será nesse sentido. Modernização de todas as estruturas, novas formas de comercialização, novas formas de assistências, novos serviços, satisfação do cliente.

Os pontos que focaram implicam que no âmbito do vosso investimento esteja também prevista a formação dos recursos humanos?
A falta de pessoas com competências técnicas adequadas é um dos limites no mercado ao fornecimento de bons serviços. Temos de o resolver. A nossa estratégia passa por formar as pessoas. Escolhemos o caminho mais longo, que leva mais tempo, mas que nos permite criar uma cultura própria.

Quantos funcionários tem a Socitrade?
Cerca de 40.

Falando sobre estratégia de investimento e expansão. Pensam alargar para outras províncias?
Em Angola já não estamos só confinados a Luanda. Abrimos recentemente uma representação no Huambo. Em Luanda temos estrutura de pós-venda, armazéns de peças e assistência técnica, um stand de vendas e uma área administrativa. Estamos a investir no sentido de implementar uma sede, na qual vamos integrar todos os serviços, não só a BYD, mas também as outras áreas, o que nos permitirá melhorar naquilo que fazemos. Por outro lado, estamos a procurar ir já para as províncias, através de representantes locais.

A primeira província foi Huambo, quais são as outras previstas?
Estamos em negociações para Benguela, Lubango, Namibe, logo, a zona sul do país. Mas isso dependerá das oportunidades que forem surgindo.

Além dos produtos disponíveis no mercado, já têm previsões também para outros modelos? 
Existe na gama da BYD já um conjunto de outros produtos que estamos a ponderar trazer, nomeadamente um “multiporpose vehicule” de sete ou nove lugares. Temos disponível também um veículo desportivo, o S8, mas para o qual pensamos que ainda não haja grande apetência. Está em “standby”. Iremos ter certamente ofertas diferenciadas no próximo ano, mas não vou falar disso.

No que diz respeito aos modelos que utilizam energias alternativas, estão fora de questão?
Apesar de a BYD ser um dos líderes mundiais de veículos movidos a electricidade e de já ter um conjunto de modelos em circulação, julgo que ainda não será o momento de trazer esses modelos para Angola. Tal como é natural que existam depois outro tipo de opções, como o gás natural ou outras opções energéticas.
 
Angola é um país em constante crescimento e desenvolvimento. O que falta ainda fazer no sector da mobilidade?
Angola está a viver um momento especial com todo o relançamento da sua actividade económica e da sociedade que, infelizmente, esteve muito tempo parada. Vai assistir-se a uma profissionalização de todas as estruturas que trabalham nesta área. Novas soluções serão encontradas no que diz respeito às movimentações nas grandes cidades. As qualificações dos operadores profissionais e dos privados que utilizam os meios de mobilidade no dia-a-dia também são importantes. Posso dar exemplos: o trânsito, a disciplina no trânsito, a competência técnica de quem conduz, os abastecimentos de combustíveis, a qualidade das estradas, as condições técnicas em que muitos veículos circulam, a qualificação das pessoas, o sector automóvel que ainda precisa de evoluir para um nível de serviços francamente melhor. A natureza vai seguir o seu caminho.

E está prevista a expansão da Socitrade para outros mercados?
A Socitrade está a explorar, neste momento, uma presença no Brasil e poderá vir a explorar outras oportunidades em termos de presença no exterior. São situações para com as quais temos uma atenção especial, porque apesar de estarmos num momento em que os esforços de desenvolvimento interno são brutais, sem dúvida que todas as oportunidades que surjam poderão ser analisadas e desenvolvidas se tiverem vantagens. Para todos os efeitos é o nome de Angola, das nossas empresas e das nossas pessoas que é veiculado lá fora.

Porquê comprar um BYD?
Tem um design atractivo, os preços são muito competitivos, os serviços que iremos oferecer em conjunto são bastante interessantes, mas sobre os quais não posso falar devido a motivos concorrenciais.

Por exemplo, o cartão cliente?
Está previsto.

Há facilidades de pagamento ou só há a opção de cartão de crédito?
Há facilidades de pagamento, mas são limitadas. Tentamos facilitar o acesso aos nossos produtos e serviços, mas não podemos assumir um risco demasiado elevado. Seguramente que vamos ouvir falar muito da BYD. Agora depende de nós próprios sermos capazes de levar a bom termo a estratégia a que nos propusemos. Seguramente não será fácil, já que a concorrência está também a fazer um bom trabalho, mas temos uma missão, temos ideias e estratégias muito claras, e de como podemos enfrentar os desafios que nos esperam. Vamos ser suficientemente bons para o conseguir.

Joana Tavares da Silva

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