Revista Africa Today: África começa a existir de “maneira mais real”, Mia Couto África começa a existir de “maneira mais real”, Mia Couto ================================================================================ revista africatoday on 30/08/2010 15:33:00 “África era vista de uma maneira folclorizada e estereotipada. Era uma maneira de não ser vista”, disse Mia Couto após participar de uma mesa redonda sobre literatura e cinema com o angolano José Eduardo Agualusa, os cineastas brasileiro, Cacá Diegues, e o moçambicano, Ruy Guerra. Aquele que é considerado um dos grandes escritores contemporâneos africanos de literatura de expressão portuguesa considera que o Brasil «proclamava intensamente» a sua relação histórica de matriz com a África, contudo, “a África que chegava o Brasil não correspondia aquilo que é hoje”. Um continente moderno, “com seus dinamismos culturais e históricos, e, sobretudo, com a sua diversidade”, argumentou o autor dizendo ainda que “é uma África que tem que se dizer no plural e não no singular”. «Estou condenado a ser um escritor de língua portuguesa» Ao referir-se à dificuldade que encontra na tradução de suas obras, Mia Couto disse estar “condenado a ser um escritor de língua portuguesa” considerando que o seu trabalho é de “transcrição linguística e de recriação vocabular passando pela poesia”. Não é apenas uma “questão técnica, é também como se traduzem esses universos culturais”, ressaltou o moçambicano já distinguido pelo conjunto da sua obra com o Prémio Vergílio Ferreira 1999 e também recebeu o Prémio União Latina de Literaturas Românicas em 2007. Sobre o Back2Black Festival Sob a alçada do escritor angolano Agualusa, o Back2Black Festival decorreu este fim-de-semana no Rio de Janeiro. Durante três dias, o festival serviu de um ponto de encontro para a política, a cultura, a consciência social, a música, cinema e literatura. Dedicado à cultura negra, o evento contou com shows, exposições e debates sobre a matriz negra na cultura brasileira. Fonte: Diário Digital/Lusa