Revista Africa Today: Viver primeiro num faz de conta. Viver a sério depois Viver primeiro num faz de conta. Viver a sério depois ================================================================================ revista africatoday on 27/01/2012 17:10:00 De origem portuguesa, os seus profissionais encontram-se a desenvolver a ideia original do próprio Presidente do país, Teodoro Mbasogo. Sob o conceito de total sustentabilidade, Djibloho deverá estar pronta entre 2025 e 2030. Os trabalhos antigos desenvolvidos na Argélia e na Líbia pelo IDF chamaram a atenção do Presidente da Guiné Equatorial. Por lá, o atêlie português terá criado o Estaleira Naval em Oran e desenvolvido o projecto para o Metropolitano de Tripoli. E o convite para fazer nascer a nova capital administrativa do seu país chegou à empresa, dedicada ao urbanismo, reabilitação, paisagismo e desing, criada em 1993, em pouco tempo. O conceito já em curso irá fazer crescer um novo pólo de atracção à população que deverá chegar aos 160 mil habitantes, espalhados por um total de 8.150 hectares. Uma das maiores particularidades do projecto está no nascimento e desenvolvimento da primeira capital mundial inteiramente dependente de energias renováveis e sustentáveis. Além da convervação de ecossistemas e de cursos de águas existentes, o projecto contempla ainda a instalação de uma central fotovoltaica, estações de tratamento de resíduos e uma barragem. Segundo Catarina Nunes, representante do IDF, “estas estruturas estarão dimensionadas para prestar apoio apenas à cidade”. No entanto, estas podem ter outras implicações. “Poderão ser vistas como uma experiência a replicar no resto do país. Por exemplo, o uso de painéis fotovoltaicos pode ser visto como alternativa aos combustiveís fósseis”, esclareceu, em declarações à África Today. Por outro lado, está ainda prevista a construção de um polo universitário e a transformação da vida no novo centro empresarial de África, embora estes sejam ainda pontos que requerem mais análise e estudos de viabilidade. Como desenhar uma nova cidade? Com cerca de 60 pessoas envolvidas – distribuídas por equipas de urbanismo, arquitectura, arquitectura paisagistica, modulação 3d e design –, o IDF necessitou de “estudar a fundo as características do local e propor um desenho urbano que respeitasse o desejo do Presidente do país de construir uma cidade africana”, contou Catarina Nunes. E este conceito de cidade africana tem por trás de si uma explicação peculiar. “Este pedido traduz um desejo de que não se aplicasse a esta cidade um modelo europeu”, explicou a representante do IDF, dando conta do impacto que o pedido de Mbosogo terá tido nos profissionais do ateliê. Desta forma, o conceito desenvolvido pelo mesmo “pretendeu ir ao encontro do modo de vida local e da sua cultura, bem como, respeitar a natureza envolvente”, acrescentou. De acordo com Catarina Nunes, será criado um “modo de vida mais equilibrado”, que passará também pelo uso exclusivo de energias renováveis para a produção de energia eléctrica interna. Mas para a concretização do projecto foi necessário fazer algumas visitas prévias ao país e à cidade. “Encontrámos um país em transformação e esperamos contribuir para que a coesão social e sustentabilidade sejam modelos para o seu bom desenvolvimento”, adiantou a representante do IDF. Conscientes dos obsctáculos e dos impasses que poderão enfrentar, o ateliê português confessa que a principal dificuldade passa pela incerteza de que o conceito que criaram não seja respeitado na íntegra. No entanto, as mutações da cidade e a sua nova vida ainda têm muitos anos pela frente. A conclusão do projecto está prevista para dentro de 15 a 20 anos, e o custo estimado para a construção de toda a obra ronda os 200 mil milhões de euros (261 mil milhões de dólares). Joana Fonseca Tavares