Dirigente crítica excesso de rigor com indocumentados angolanos
"Não é nada agradável assistir a uma situação de expulsão", Bento Rodrigues.
O presidente da Casa de Angola em Coimbra (Portugal) critica o excessivo rigor das autoridades portuguesas na expulsão de cidadãos com falta de documentos, lembrando que em Angola haverá mais portugueses em situação similar.
Bento Monteiro critica o excesso de rigor por parte das autoridades portuguesas para com os angolanos em situação ilegal no país. "Para estar em Portugal com a actual lei da emigração é muito difícil", disse, criticando também os Serviços de Estrangeiros e Fronteiras pela atitude perante as dificuldades, recordando que no passado o antigo responsável em Coimbra, Fausto Garcia, "ia ao encontro dos problemas dos emigrantes"
Hoje - sublinhou - "ao que estamos a assistir é: não tem documento, sumariamente, administrativamente, rua".
Bento Monteiro, que falava durante uma missão em Coimbra do Consulado de Angola no Porto destinada a emitir documentos, frisou que o envolvimento da Casa de Angola visa prevenir eventuais situações de conflito entre os Estados relacionado com o problema. "Nós estamos a acautelar para que não haja necessidade de expulsar mais angolanos e, por outro lado, também para que os Estados não usem a figura da reciprocidade, o que seria um caos. A Casa de Angola está a fazer tudo por tudo para que não seja utilizado esse mecanismo", sustentou.
"Não é nada agradável assistir a uma situação de expulsão, que é uma humilhação para nós, porque nós recebemos todos os dias centenas ou milhares de portugueses em Angola, e se calhar nós temos mais emigrantes portugueses indocumentados em Angola do que angolanos em Portugal", considerou o dirigente associativo.
Números
Actualmente existem em Portugal 24 mil angolanos, contras os 32 mil que estavam em 2007. Para Bento Rodrigues esta descida revela que "a pouco e pouco a comunidade está a regressar" ao seu país de origem.
Fonte: Lusa







