Google TV já é uma realidade
A Google entra no mercado televisivo dos Estados Unidos (EUA) já este mês. A Google TV surge no sentido de revolucionar a forma como se vê televisão e conta, para isso, com a parceria de três grandes empresas: Sony, Intel e Logitech.
A gigante da Internet trabalha na criação de uma televisão com total acesso à rede. Apesar de esta não ser uma aposta inovadora, os responsáveis da empresa acreditam no projecto. “A Google TV é uma nova plataforma que, acreditamos, irá mudar o futuro da televisão”, refere Rishi Chandra, director de produtos da companhia.
O serviço vai estar disponível já a partir do próximo ano, após lançamento nos EUA. Segundo Eric Schmidt, CEO da empresa, a Google TV será oferecida em exclusivo pela Sony e, numa fase inicial, será gratuita. “É expectável que outros fabricantes queiram ter este produto”.
O novo canal estará integrado nos televisores e terá acesso a filmes, programas de televisão e jogos on-line. Amazon, Netflix e Hulu são algumas das marcas que já assinaram acordos para distribuir a opção de video-on-demand na plataforma.
Apesar de possuir um perfil diferente, este serviço vai concorrer com a Apple TV, lançada em 2007 pela empresa de Steve Jobs, e que, até à data, não obteve o sucesso comercial esperado.
Segundo os analistas, 90 por cento da facturação total do maior motor de busca da Internet pertence às receitas de publicidade on-line, mas a Google tem como objectivo baixar esta dependência. O desenvolvimento do negócio para telemóveis e tablets, com o sistema operativo Android, é parte integrante desse objectivo, sendo que milhares das suas aplicações irão funcionar no serviço de televisão.
A Google não cobra nenhum destes serviços e, ainda assim, pretende manter o mesmo modelo. O objectivo é alargar o domínio na publicidade on-line para outras áreas do entretenimento.
O novo produto
Hoje em dia, as pessoas vêem mais televisão. Em todo o mundo, cerca de quatro mil milhões de pessoas sentam-se em frente ao ecrã, números muito superiores a todas as outras plataformas, como os telemóveis, com quase dois mil milhões de utilizadores, e o dos computadores, com mil milhões. O que prova que ainda “não há um meio de comunicação que chegue a um público tão vasto e diversificado como a televisão”, explicou Chandra. “No entanto, a televisão, ao contrário dos outros meios, não sofreu alterações. Basicamente mantém o mesmo formato há imenso tempo, mas as nossas formas de entretenimento têm chegado mais frequentemente pela Internet”.
No entanto, a sua influência na televisão não tem sido tão eficaz e é aí que entra a Google TV. “Queremos aproveitar o que a Internet tem de melhor e o que a televisão tem de melhor. Hoje em dia, as pessoas estão em frente ao maior ecrã lá de casa e têm de optar por ver nesse mesmo ecrã o que está a dar na televisão ou aceder à Internet. E, 90 por cento das pessoas, optam pela televisão, porque é aquilo a que estão habituadas”, conta.
Menos tempo a procurar, mais tempo a ver. Controlar e personalizar os nossos programas. Tornar o conteúdo televisivo mais interessante. Transformar a televisão em muito mais que uma televisão. Foram estes os quatro pontos enumerados pela Google no final da apresentação do novo produto.
Setenta mil milhões de dólares por ano (cerca de 53 mil milhões de euros), é quanto pode custar o investimento da publicidade televisiva nos EUA. Parece ser uma receita de sucesso quando valores destes estão aliados à entrada da Google neste mercado, no entanto, após reuniões com as grandes cadeias americanas – ABC, CBS, NBC e Fox – para a colaboração com a Google TV, as parcerias poderão não acontecer. Este projecto para as estações é visto como uma ameaça ao seu negócio, ao trazer o que a Internet disponibiliza: vídeos do YouTube para a televisão. “Estamos interessados em trabalhar com parceiros que valorizem os nossos produtos. Se nos associarmos, a nossa oferta vai aparecer no meio de conteúdos pirateados” explicou Anthony Soohoo, vice-presidente da CBS. Apesar das palavras pouco simpáticas, mostrou receptividade para avançar com a parceria. “Temos de compreender o modelo de negócios da Google e o modo de se relacionar com a CBS”.
Marisa Gonçalves







