CIP acusa polícia de usar “balas letais” e exige inquérito
O Centro de Integridade Pública (CPI), uma ONG que fiscaliza a acção do Governo em Moçambique, aponta o dedo às autoridades do país. A ONG acusa a polícia de usar “balas letais” nos tumultos da semana passada e exige a abertura de um inquérito à conduta das autoridades policiais.
Num comunicado intitulado “Polícia sem Preparação, mal equipada e corrupta”, o CIP acusa ainda os agentes da lei e ordem de recorrer a balas de borracha e gases sem obedecer a regras elementares.
“Foram vistos agentes da polícia de protecção a usar armas letais do tipo AKM. A polícia foi vista a lançar quantidades enormes de gás lacrimogéneo para quintais em zonas residenciais, atingindo mulheres e crianças que nem sequer se tinham feito à rua. Há relatos de pelo menos uma morte originada por esse comportamento”, refere a organização.
A ONG alega ainda que, por outro lado, balas de borracha foram disparadas directamente para as multidões, sem se observar as precauções obrigatórias.
“As balas de borracha são instrumentos usados em todo o mundo para dispersar revoltas violentas, mas elas tornam-se armas letais quando não são disparadas a mais de 25 metros de distância e em direcção ao chão; por regra, essas balas só podem ser atiradas de modo a fazerem ricochete, antes de atingir o alvo”, lê-se na nota de imprensa.
Para o CIP, “a polícia moçambicana não tem meios nem estrutura para enfrentar uma revolta de massas.
O cenário de 2008 repetiu-se
A ONG não tem dúvidas ao afirmar que os acontecimentos dos dias 01 e 02 de Setembro foram uma repetição daquilo que aconteceu em Fevereiro de 2008, quando as cidades moçambicanas também foram sacudidas por ondas de violência contra o aumento dos preços do transporte público. O CIP refere que essa onda de violência “foi esquecida” e que “após a circulação de mensagens de telemóvel (sms) apelando a uma revolta contra a subida dos preços de bens essenciais o Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique convocou uma conferência de imprensa em que anunciou aos jornalistas que não havia nenhum pedido formal de manifestação e que as mensagens por telemóvel não passavam de simples rumores”.
Por este “descuido” das forças policiais, “o CIP exige a abertura de uma Comissão de Inquérito Parlamentar (integrando elementos da sociedade civil), para apurar os contornos da reacção brutal da polícia e encontrar os principais responsáveis políticos e apurar as reais condições de operacionalidade da nossa polícia”.
Recorde-se que os confrontos da semana passada provocaram 13 mortos e mais de 500 feridos, segundo números oficiais.
Fonte: Lusa/Sapo Mz




