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Crianças são mais afectadas por problemas auditivos

As crianças são as mais afectadas por problemas de audição, a maior parte das quais com casos de otites médias. No Dia Mundial da Audição, que se assinala, a otorrinolaringologista Gilma Ferreira pede que se tenha maior atenção a este órgão muito sensível.

Médica do Hospital Josina Machel, em Luanda, Gilma Ferreira explicou  que as otites muitas vezes ocorrem em função da saturação do ouvido por causa de uma gripe, mudanças bruscas de temperatura e problemas de inflamação das vias respiratórias superiores.

A especialista falou da aparição de corpos estranhos como o feijão, papel, bolinhas, botões e até mesmo de pontas de lápis em ouvidos de crianças. Já os adultos, em patologias agudas,  os casos de otites também aparecem,  mesmo sendo mais frequente em crianças. “Existem adultos que já tiveram otite em criança,  então torna-se crónica e tem aquelas recorrências”.

Por isso, alertou que ao tomar banho, não se deve deixar entrar água nos ouvidos e evitar constipar-se frequentemente.”.

Afirmou que existem casos em que o doente pode perder de imediato a audição, quando a situação não teve o devido tratamento por parte do doente.

Os discos jóqueis, serralheiros e militares são mais propensos a ter problemas de audição, por estarem constantemente  expostos ao som excessivo. A estes, a especialista aconselha a fazer o uso de protectores auriculares.

Uma outra categoria de  profissionais expostos a este riscos são os mergulhadores.  A médica entende que devem evitar mergulhar constantemente, porque o organismo tem de se restabelecer. Para proteger o ouvido, a médica aconselha evitar a exposição do ouvido aos sons agudos, o uso constante de auriculares, não deixar entrar água nos ouvidos enquanto tomamos banho, não limpar os ouvidos com cotonetes.

Directora regional

Este ano,  o Dia Mundial da Audição centra-se no impacto económico da perda de audição e decorre sob o lema “Agir contra a perda auditiva: um investimento que soa bem”. Cerca de 360 milhões de pessoas ou seja cinco por cento da população mundial vivem com deficiência auditiva incapacitante, sobretudo nos países de rendimento baixo e médio.  Numa mensagem por ocasião da data, a directora regional da OMS para África, Matshidiso Moeti, afirma que a perda auditiva ignorada traz um custo elevado à economia mundial.

A OMS estima que os custos ascendam anualmente a 750 mil milhões de dólares, o que equivale à despesa anual conjunta com a saúde do Brasil e da China ou ao produto interno bruto dos Países Baixos.

Em África,  cerca 4,5 por cento da população vivem com esta deficiência invisível que, frequentemente, passa despercebida.

A mensagem refere que perda auditiva tem múltiplas causas, incluindo complicações à nascença, infecções no ouvido, exposição a barulho excessivo e envelhecimento. A inacção tem um custo elevado.  No continente,  excluindo o custo dos aparelhos auditivos, a perda auditiva grave ignorada custa mais de 20 mil milhões de dólares por ano, com cerca de dois mil milhões a dever-se à perda de produtividade resultante de desemprego e de reforma antecipada.

A perda da audição também tem um custo social significativo em virtude do isolamento social, das dificuldades de comunicação e do estigma, estimado em mais de 13 mil milhões de dólares por ano a nível regional.

Nas crianças, refere a mensagem,  a perda de audição pode ter influência na fala e na aquisição linguística, afectando consideravelmente o desempenho escolar e levando à exclusão. Além disso, a produção mundial de aparelhos auditivos é totalmente inadequada e, nos países de rendimento baixo e médio, menos de uma em 40 pessoas que precisam de um aparelho auditivo o consegue.

Estes países também têm poucos recursos humanos para os cuidados auditivos, tais como otorrinolaringologistas, audiologistas e educadores para crianças surdas, pois estes se encontram concentrados nos países de rendimento alto e médio-alto.

Ao comemorar-se o Dia Mundial da Audição, Matshidiso Moeti lança um apelo a todos os países e parceiros para afectarem os recursos adequados para fazer face à perda de audição e integrarem os cuidados auditivos nos sistemas de saúde, de modo a melhorar-se a prevenção e a detecção precoce.

“É preciso desenvolver as capacidades dos recursos humanos, para tornar estes serviços mais equitativos na região africana e aumentar a consciencialização na sociedade para garantir que ninguém seja excluído”, refere a mensagem da directora regional da OMS.

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