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Enfermeiros em Luanda anunciam paralisação

A partir das 7h00 da próxima segunda-feira, dia 18, os enfermeiros vão observar uma greve interpolada semanal, com a paralisação de toda actividade de enfermagem nas unidades hospitalares, sob jurisdição do Governo da província de Luanda.

 

O facto foi anunciado ontem, ao Jornal de Angola, pelo secretário para a Área Jurídica e Laboral do Sindicado dos Técnicos de Enfermagem de Luanda, Almeida Pinto, à saída de um encontro no Governo Provincial.
“Não existiu consenso entre as partes, relativamente em alguns pontos constante no caderno reivindicativo apresentado ao Governo da província. “
Em relação à reunião, Almeida Pinto disse que esperava que fossem tratadas “questões pertinentes” e que se houvesse “humildade” por parte do Governo da Província em reconhecer as falhas que vêm cometendo e, que no mínimo, solicitassem uma moratória.
Almeida Pinto disse não entender por que razão persiste o impasse e “em cada reunião aparecem pessoas que não dominam o processo, obrigando a refazer tudo”.
Almeida Pinto explicou que o que se observa até agora não é uma greve mas os “homens da seringa” não consultam. Lembrou que, de acordo com a lei, os profissionais estão proibidos de consultar e diagnosticar qualquer paciente.
“O que estamos a fazer agora é monitorar os agentes da saúde, permitir que os colegas façam os procedimentos de enfermagem. Devo aqui lembrar que quem faltar ao serviço é penalizado, pois, de resto, não coarctamos ninguém de não fazer o seu dever.Tenho estado a observar má fé por parte de alguns profissionais que se aproveitam da situação”, observou.
Com base nisto, o secretário Almeida Pinto apelou às estruturas competentes e aos responsáveis dos centros  para normalizarem a relação laboral a  partir do respeito das normas internas das unidades sanitárias.
Almeida Pinto disse que em relação aos hospitais ou centros em que os enfermeiros estão de mãos atadas, isso se deve  ao facto de não existirem médicos, pois “os homens da seringa” só podem medicar desde que haja médicos.
“O trabalho do enfermeiro depende do médico. Por exemplo, no caso de lavagem de uma ferida, o técnico só pode fazê-lo depois da observação pelo médico, que é a pessoa que determina que se trata de um caso de infecção e que tipo de medicamento  deve ser receitado”, disse Almeida Pinto.
Os enfermeiros mantêm, até domingo, a suspensão de consultas a doentes nas unidades sanitárias, por não terem chegado a um acordo nas negociações com o Governo Provincial de Luanda.
A directora do Gabinete Provincial de Saúde de Luanda, Rosa Bessa, disse que 85 novos médicos vão ser enquadrados, a partir de Janeiro de 2018, para dar resposta inúmeras solicitações. Lembrou que este lote de profissionais faz parte do concurso público realizado em 2014.
No final do encontro foi produzida uma acta que refere  o pagamento dos retroactivos e outros valores aos profissionais de enfermagem.
O Governo Provincial solicitou uma moratória de 30 dias, a contar da data da assembleia realizada no dia 4 de Dezembro deste ano. As partes concordaram em continuar a negociar, para um melhor entendimento.

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